29 de abril de 2018

À partir do nada


Não foi sem razão que conseguimos sobreviver à tempestade
Não, não foi para viver na amargura
à margem, na periferia da felicidade, à espreita da oportunidade
ou prisioneiro da possibilidade

num vale de sombras e de morte.

Quem seria capaz de criar algo à partir do nada?
O Eu Sou!

Sobrevivemos para agora sorrir
para ter o coração aquecido
para ter de volta o brilho.

E ser então protagonistas de um novo palco

de sorrisos descongelados
de sentenças revogadas
de sonhos sendo gerados
de frutos sendo colhidos!

E tudo isso, à partir do nada.







18 de março de 2018

Vida é espera, Tempo é sequela



Espera-se para pegar o ônibus
Dentro do ônibus, espera-se pelo lugar de destino
Quando se chega ao destino, espera-se pela hora de voltar
E quando chega a hora
novamente espera-se partir para outro lugar.

Espera-se para dizer algo bonito
e enquanto se diz, espera-se por uma resposta
na resposta, espera-se que ela traga a esperança
e de novo ouvir algo bonito.

Espera-se para receber o abraço
no abraço, espera-se para olhar nos olhos
e no olhar, espera-se pelo sorriso 
no sorrisso, espera-se que o tempo páre
para de novo trazer um aviso:

quem espera que o Tempo espere entenda que ele não vai querer por nada viver a espera!

13 de janeiro de 2018

Uma carta na noite


No meio da noite, ela o viu deixar uma carta em seu portão
Correu para vê-lo, mas ele já estava longe.

Mas ela não pôde ler a carta O que será que dizia?
Algo promissor? E porque seria?

Ela não pôde ler a carta porque havia sido só um sonho


Quem revelaria o que naquela carta estava escrito?

18 de novembro de 2017

Loja de Máscaras


A face nua de uma personalidade alterada pedia uma recomposição imediata. 
E foi depressa para uma loja de máscaras. Não, não era para um baile à fantasia que ela estava à procura de uma máscara, era para uma vida inteira de fantasia.
E à medida em que a foi usando, colou-se à sua própria pele e já não se distinguia mais a fantasia da realidade.

E assim ficou, por dentro escondendo a fera e por fora artificialmente bela.

Naquele falso conto de fadas não cabia espaço para um final feliz, se O Príncipe, montado num jumentinho, não tivesse aparecido e parado para ouvir suas estórias, que ELE bem sabia não serem verdadeiras. Mesmo assim, as ouviu, uma a uma e à medida em que ouvia, reconhecia a verdadeira face dela.

9 de junho de 2017

Quando o brilho se apaga



Quando tudo se acaba, o que você faz?

Depois de um forte estrondo para que lado corre?
Há estilhaços no chão, pedaços de coisas, fumaça ofuscando a visão
Paisagem modificada;
E quando tudo realmente acaba?
Como ver beleza na destruição?
Uma perda pode ser violenta às vezes.
Muitas perdas podem impedir a vida de florescer
Uma flor pisoteada muitas vezes, por fim murcha e não se ergue mais.

O que é capaz de suavizar a dor?

Depois que se vai o brilho nos olhos, o que é que você faz?


Paz para a Síria. 

Um lugar para a dor


Eu queria poder fazer mais por você
eu queria  diminuir sua dor

Eu ainda verei a sua cura
eu ainda verei o dia em que o Mestre chegará nesse quarto frio e escuro
e Sua luz refletirá tão forte que colocará seus medos prá fora
e eles fugirão
os fantasmas do passado fugirão!

Não há como explicar o que você viveu
ou reparar toda injustiça
Um coração capaz de reservar tanto espaço para o vazio.

Sofrendo de longe, calado
o silêncio aprisionou sua liberdade!

Mas agora você está livre, grite sua felicidade
Muito em breve você vai sorrir, meu irmão!

ОТЕЦ


Não é como andar de mãos dadas, mas sim eu sinto sua falta
eu já fui uma menina doce, mas isso faz muito tempo

Lembro-me de quando ria quando me via cantar
o seu sarcasmo era cruel às vezes.

Sua imaturidade adulterou nosso amadurecimento
como uma mancha de óleo que grudaria nas paredes do mundo adulto

Não, não há grandes construções e espaços
não conseguimos fazer muito por nós mesmos

Só descobrimos o quão devastados estávamos, quando vimos os destroços
havia pedaços de sorrisos, havia restos de algumas palavras nunca ditas.

Oh, acho que encontramos mais de você em nós agora do que de nós mesmos

Não há como evitar, sua estupidez faz muito barulho

Só há um jeito de minimizar o dano, é recuperá-lo.
Ainda estamos aqui, vasculhando partes de nós mesmos, aquelas que existem e até aquelas que um dia desejaram ter existido!

P. d. ou ОТЕЦ